Quase 2 milhões de brasileiros com deficiência estão aptos a votar, e Justiça Eleitoral ampliou estruturas de acessibilidade para o pleito.
As Eleições 2026 chegam a pouco menos de um mês do primeiro turno com uma mudança importante no perfil do eleitorado brasileiro: quase 2 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência estão aptas a votar. O número representa o maior registro já contabilizado pela Justiça Eleitoral e chama atenção não apenas pelo crescimento do eleitorado, mas também pela necessidade de garantir que essas pessoas consigam participar da votação com autonomia, segurança e dignidade. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são 1.970.165 eleitores com deficiência, alta de 42% em relação a 2022.
O assunto ganhou destaque novamente nesta semana, quando o TSE reforçou as orientações sobre acessibilidade para o pleito de 4 de outubro. Para o eleitor, a principal dúvida deixa de ser apenas quantas pessoas participarão das eleições e passa a ser prática: quais são os direitos de quem tem deficiência ou mobilidade reduzida na hora de votar? A resposta envolve preferência na fila, acompanhamento dentro da cabine, recursos disponíveis na urna e, em determinados casos, possibilidade de solicitar transporte especial.
Número de eleitores com deficiência cresce e muda o perfil das eleições
Os dados divulgados pelo TSE mostram uma expansão expressiva do eleitorado com deficiência no Brasil. Em 2022, eram 1.381.348 pessoas nessa condição; para 2026, o número chegou a 1.970.165, crescimento de 42% em apenas quatro anos. O grupo inclui diferentes tipos de deficiência registrados no cadastro eleitoral, como deficiência de locomoção, visual e auditiva, além de outras situações que podem dificultar o exercício do voto.
A dimensão desse crescimento ajuda a explicar por que acessibilidade deixou de ser uma questão secundária na organização das eleições. O próprio TSE informa que o número de seções eleitorais principais com acessibilidade passou de 156.296 em 2022 para 220.577 em 2026, uma expansão de aproximadamente 41%. Em termos práticos, isso significa mais locais preparados para receber pessoas com mobilidade reduzida e outras necessidades específicas, embora as condições físicas possam variar de acordo com cada prédio utilizado pela Justiça Eleitoral.
O crescimento também acompanha uma transformação mais ampla do cadastro eleitoral. De acordo com o TSE, o Brasil terá 158,7 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar nas eleições deste ano, que escolherão presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. Quase nove em cada dez eleitores já possuem biometria cadastrada, enquanto o grupo de pessoas com deficiência representa uma parcela relevante desse universo e exige atenção específica para que a participação eleitoral não seja limitada por barreiras físicas ou tecnológicas.
Quais são os direitos do eleitor com deficiência nas Eleições 2026?
Uma das principais dúvidas é se a pessoa com deficiência precisa ter informado antecipadamente sua necessidade para receber atendimento especial. Segundo o TSE, não necessariamente. Mesmo que a necessidade específica não tenha sido registrada anteriormente, o eleitor pode comunicar a situação à mesária ou ao mesário no dia da votação para que sejam adotadas as soluções de acessibilidade possíveis naquele local.
Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida também fazem parte dos grupos que têm preferência para votar. A regra permite prioridade no atendimento e também alcança acompanhante ou atendente pessoal, inclusive quando essa pessoa estiver inscrita para votar em outra seção. Além disso, quando o auxílio for indispensável, o eleitor pode entrar na cabine acompanhado por alguém de sua escolha, desde que sejam observadas as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Outro ponto importante está nos recursos disponíveis na urna eletrônica. Para eleitores com deficiência visual, por exemplo, há sistema de áudio, fones de ouvido individuais fornecidos pela Justiça Eleitoral e identificação tátil na tecla 5. A urna também possui teclado em braile e síntese de voz, enquanto eleitores surdos podem contar com intérprete de Libras exibido na própria tela do equipamento.
Esses mecanismos têm uma função que vai além da comodidade: reduzir obstáculos que poderiam impedir ou dificultar o exercício do direito ao voto. A Agência Brasil informou nesta semana que as urnas de 2026 também apresentam uma nova interface, com telas redesenhadas, letras mais legíveis e barra de progresso para acompanhar as etapas da votação. A Justiça Eleitoral realizou demonstrações públicas do equipamento para permitir que a população conheça antecipadamente as novidades.
Transporte especial e o que o eleitor precisa fazer antes da votação
Para parte do eleitorado, a maior dificuldade pode aparecer antes mesmo de chegar à urna. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios para chegar ao local de votação podem solicitar transporte especial por meio do programa Seu Voto Importa, iniciativa da Justiça Eleitoral destinada a ampliar as condições de acesso ao processo eleitoral. O serviço depende da estrutura e das parcerias estabelecidas pelos tribunais regionais eleitorais com órgãos e entidades públicas.
Há, porém, um prazo que merece atenção. Segundo a Agência Brasil e as orientações da Justiça Eleitoral, para o primeiro turno de 4 de outubro, o pedido de transporte especial deve ser feito até 14 de setembro, ou seja, 20 dias antes da votação. A solicitação pode ser apresentada pela própria pessoa ou, conforme o caso, por curador, apoiador ou procurador, seguindo os procedimentos definidos pelo respectivo Tribunal Regional Eleitoral.
A recomendação para o eleitor é não deixar essa verificação para a última hora. Além de conferir o local de votação, é importante verificar previamente se existem condições adequadas de acessibilidade e, quando necessário, entrar em contato com a Justiça Eleitoral para saber quais alternativas estão disponíveis na região. A própria Justiça Eleitoral realiza vistorias periódicas nos locais de votação porque reformas, mudanças estruturais e outras alterações podem modificar as condições de acessibilidade de um prédio.
O tema ganha ainda mais importância porque o crescimento do eleitorado com deficiência ocorre em um momento de participação eleitoral elevada. Com 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar e o primeiro turno marcado para 4 de outubro, garantir acesso efetivo às urnas é parte essencial do funcionamento democrático. Para o cidadão, conhecer seus direitos pode fazer diferença entre simplesmente estar registrado no cadastro eleitoral e conseguir exercer o voto de maneira independente e respeitosa.
O avanço registrado nas Eleições 2026 mostra que acessibilidade precisa ser tratada como parte central da cidadania brasileira. O aumento de 42% no número de eleitores com deficiência desde 2022 veio acompanhado por uma expansão semelhante na quantidade de seções com recursos de acessibilidade, mas a estrutura disponível ainda precisa ser conhecida e efetivamente utilizada por quem necessita dela.
Para quem vai votar, a informação mais importante é simples: deficiência ou mobilidade reduzida não elimina o direito de participar das eleições e existem mecanismos específicos para facilitar esse exercício. Antes de 4 de outubro, vale conferir o local de votação, conhecer os recursos da urna e, quando houver necessidade de deslocamento especial, observar o prazo para solicitar o atendimento. Em uma eleição que reunirá milhões de brasileiros, garantir que todos possam votar também é uma forma de divulgar e fortalecer, na prática, o direito à cidadania.
Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — eleitorado e acessibilidade nas Eleições 2026 · TSE — perfil do eleitorado brasileiro · Agência Brasil — transporte e urnas adaptadas para pessoas com deficiência · Agência Brasil — recorde de eleitores com deficiência nas Eleições 2026
