Como transformar um bom design gráfico em uma peça que não apenas ocupa espaço?

Diego Velázquez
Diego Velázquez Notícias
5 Min de leitura
Dalmi Defanti Cuiabá

Dalmi Fernandes Defanti Junior destaca que todo projeto gráfico nasce duas vezes. A primeira na tela, a segunda quando a tinta seca no papel. Entre uma versão e outra, existe um conjunto de decisões técnicas que separa a peça que comunica daquela que apenas ocupa espaço, e é nesse intervalo que boa parte do trabalho se perde.

Um exemplo ajuda a enxergar o problema. O azul vibrante que aparece no monitor é feito de luz, no padrão RGB. O mesmo azul impresso é feito de pigmento, no padrão CMYK, e costuma chegar mais fechado, às vezes acinzentado.

Os elementos que sustentam um bom projeto de design gráfico são poucos e razoavelmente conhecidos. O que raramente acontece é tratá-los como sistema, em que cada escolha depende da anterior. Nas próximas linhas, você vai descobrir como essas peças se encaixam.

O briefing é o primeiro elemento

Uma empresa pede um folder. Não menciona que ele será distribuído em feira, dobrado no bolso e lido em pé, sob luz artificial. Dalmi Fernandes Defanti Junior pontua que o designer entrega uma peça elegante, com texto em corpo pequeno sobre fundo escuro. Ninguém consegue ler. O projeto não falhou na estética, falhou na pergunta que não foi feita.

Briefing útil registra onde a peça será usada, quem vai lê-la, em qual material, em qual tiragem e com qual prazo. Cada resposta elimina caminhos. Tiragem baixa muda o processo de impressão. Papel fosco altera a saturação da cor. Leitura em movimento redefine o tamanho mínimo da tipografia.

Hierarquia visual: o que o leitor vê nos dois primeiros segundos?

Pegue um cartão de visita comum. Logotipo enorme no centro, nome da pessoa em corpo médio, telefone e e-mail espremidos no rodapé em cinza claro. A informação que motiva o contato é justamente a menos visível. Dalmi Defanti Cuiabá destaca que o arranjo parece organizado, mas trabalha contra a própria função da peça.

Hierarquia se constrói com quatro recursos: tamanho, peso, posição e espaço ao redor. Quando tudo tem destaque, nada tem. Essa é a diferença entre um layout bonito e um layout que cumpre tarefa. A pergunta correta não é o que colocar primeiro, e sim o que o leitor precisa entender caso pare de ler na terceira linha.

Tipografia e cor precisam sobreviver fora da tela

Fontes de traço muito fino são um risco previsível na impressão. Em papéis absorventes, a tinta espalha alguns mícrons e a haste da letra engorda, fechando os contornos. Texto pequeno composto em quatro cores é outro ponto crítico: qualquer variação mínima de registro entre as chapas cria uma borda fantasma ao redor das letras.

Dalmi Defanti Cuiabá
Dalmi Defanti Cuiabá

Por isso, textos corridos costumam ser resolvidos em preto puro, e cores institucionais críticas ganham referência em escala Pantone quando o orçamento permite. Contraste também merece verificação fora do ambiente controlado do monitor: o que se lê bem em uma tela calibrada pode desaparecer em uma folha impressa sob luz fria.

O arquivo final também faz parte do projeto

Sangria de três milímetros nas bordas, margem de segurança para textos, imagens em resolução compatível com o tamanho real de impressão, logotipos em vetor e fontes convertidas em curvas. Sem esses cuidados, o corte revela uma faixa branca, a foto aparece serrilhada e a tipografia é substituída sem aviso na hora de abrir o arquivo.

Na Gráfica Print, arquivos que chegam sem essas definições costumam voltar para ajuste antes de entrar em produção. Dalmi Defanti Cuiabá explica que é a etapa que evita reimpressão, custo dobrado e prazo perdido, tudo por causa de um detalhe resolvido em poucos minutos.

Projeto bom é o que continua funcionando seis meses depois

A prova real de um projeto gráfico não acontece na apresentação. Acontece quando a empresa precisa de um novo material, e a identidade se mantém coerente sem que ninguém precise reconstruir tudo do zero. Um sistema bem definido sobrevive à troca de fornecedor, à mudança de campanha e ao improviso de última hora.

Design, nesse sentido, tem menos a ver com inspiração e mais com decisões que continuam válidas depois que a novidade passa, algo que Dalmi Defanti Junior costuma destacar ao discutir projetos de longa duração. Exemplos de aplicações e materiais produzidos podem ser vistos no site graficaprint.com.br.

 

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário