FMI reduz previsão de crescimento global, mas eleva projeção para o Brasil

Diego Velázquez
Diego Velázquez Mundo
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Guerra no Oriente Médio pesa sobre a economia mundial, enquanto o Brasil se beneficia de commodities de energia mais valorizadas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu, na atualização de julho do relatório World Economic Outlook, sua projeção para o crescimento da economia mundial em 2026, de 3,1% para 3%, embora tenha elevado a estimativa para 2027, de 3,2% para 3,4%. Segundo o organismo, a guerra no Oriente Médio interrompeu o processo de desaceleração da inflação global e tornou a recuperação econômica mais desigual entre os países.

De acordo com o FMI, os preços da energia estão cerca de 25% mais altos do que estavam antes do início do conflito, no fim de fevereiro, e devem permanecer elevados por mais tempo do que o previsto inicialmente. A nova projeção do organismo pressupõe que o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, comece a reabrir em meados deste ano, com retorno gradual às condições anteriores à guerra até março de 2027.

Apesar do cenário mais tenso, o FMI destacou que a economia global como um todo resistiu melhor do que se temia diante do choque provocado pelo conflito, com o impulso da demanda no setor de tecnologia ajudando a compensar parte da queda no fornecimento de energia em nível mundial.

O Brasil aparece entre os países beneficiados

Em contraste com o cenário global mais cauteloso, o FMI revisou para cima suas expectativas para a economia brasileira, projetando agora um crescimento de 2,4% do Produto Interno Bruto em 2026, alta significativa em relação aos 1,9% previstos na atualização anterior, divulgada em abril. Para 2027, a instituição também elevou a projeção de expansão da economia brasileira, de 2% para 2,2%.

Segundo o organismo, essa melhora reflete o fato de o Brasil ser um exportador líquido de energia e de commodities, setor que se beneficia diretamente da alta nos preços internacionais provocada pelo conflito no Oriente Médio. O país tende, assim, a ser menos afetado do que economias da Ásia, Europa e África, que dependem fortemente da importação de energia.

O panorama é bem mais desafiador para outras regiões. A previsão de crescimento para a zona do euro em 2026 caiu para 0,9%, ante 1,1% estimado em abril, refletindo o peso maior da conta de energia sobre economias que não têm produção própria significativa de petróleo e gás. Já as economias emergentes e em desenvolvimento como um todo tiveram sua projeção de crescimento reduzida em 0,1 ponto percentual, para 3,8% em 2026, embora a estimativa para 2027 tenha sido elevada para 4,5%.

A inflação global também preocupa o organismo: a projeção para 2026 subiu 0,3 ponto percentual em relação a abril, chegando a 4,7%, embora o FMI espere que o índice recue para 3,9% no ano seguinte, à medida que os preços de energia se estabilizem.

O que explica a divergência entre países

Segundo o FMI, os impactos mais duros do conflito recaem sobre países importadores de energia e economias consideradas mais vulneráveis, enquanto nações integradas às cadeias globais de tecnologia seguem se beneficiando da demanda impulsionada pelo avanço da inteligência artificial. Essa divisão ajuda a explicar por que o crescimento mundial, apesar de menor no conjunto, esconde realidades bem diferentes entre os países exportadores de energia, como o Brasil, e aqueles que dependem da importação do produto.

Para os próximos meses, o FMI mantém o alerta de que riscos como uma escalada do conflito no Oriente Médio, novas tensões comerciais ou frustrações com os ganhos de produtividade prometidos pela inteligência artificial ainda podem comprometer a atividade econômica global e aumentar a volatilidade nos mercados financeiros internacionais.

Fontes:
FMI reduz projeção para o crescimento da economia mundial, Revista Oeste
https://revistaoeste.com/economia/fmi-reduz-projecao-para-o-crescimento-da-economia-mundial-em-2026/

FMI melhora projeção para o Brasil, Metrópoles
https://www.metropoles.com/negocios/fmi-melhora-projecao-para-o-brasil-e-preve-crescimento-de-24-em-2026

FMI reduz previsão de crescimento global para 2026 a 3%, CNN Brasil
https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/fmi-reduz-previsao-de-crescimento-global-para-2026-a-3/

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