A inteligência artificial deixou de ser uma promessa para se tornar uma ferramenta presente na rotina das empresas, isso porque, como expõe Gilmar Stelo, especialista na área jurídica, contencioso e administrativo, ela otimiza processos, automatiza tarefas, apoia decisões estratégicas e aumenta a produtividade em diversos setores. Ao mesmo tempo, o avanço dessa tecnologia trouxe um novo conjunto de desafios que vai muito além da inovação. O crescimento dos deepfakes, das fraudes digitais e da utilização indevida de sistemas inteligentes tem ampliado os riscos jurídicos enfrentados pelas organizações, exigindo uma postura cada vez mais preventiva. Nesse cenário, o debate sobre inteligência artificial já não se limita ao desenvolvimento tecnológico, mas envolve governança, responsabilidade e segurança jurídica.
A facilidade para criar conteúdos extremamente convincentes por meio da inteligência artificial modificou a dinâmica das relações empresariais. Hoje, uma voz clonada, um vídeo manipulado ou um e-mail elaborado por ferramentas de IA podem ser suficientes para induzir colaboradores a realizar pagamentos indevidos, compartilhar informações sigilosas ou autorizar operações fraudulentas. Diante dessa nova realidade, empresas precisam compreender que investir em tecnologia também significa investir em mecanismos jurídicos e organizacionais capazes de reduzir riscos.
O que são deepfakes e por que eles preocupam o ambiente empresarial?
Os deepfakes são conteúdos produzidos com inteligência artificial capazes de reproduzir, com elevado grau de realismo, imagens, vídeos e áudios de pessoas. Embora a tecnologia possua aplicações legítimas em áreas como entretenimento, educação e publicidade, seu uso malicioso tem despertado preocupação crescente entre especialistas, empresas e autoridades em diversos países, informa Gilmar Stelo.
Sendo assim, o problema deixa de ser exclusivamente tecnológico quando essas ferramentas passam a ser utilizadas para fraudes, falsificação de identidade, manipulação de negociações comerciais e disseminação de informações falsas. Em ambientes corporativos, a confiança entre as partes sempre foi um elemento essencial das relações de negócios. Quando a tecnologia torna possível simular a identidade de executivos, clientes ou fornecedores, cresce também a necessidade de estabelecer novos mecanismos de verificação e controle.
Como a inteligência artificial pode ser utilizada em golpes contra empresas?
Os golpes corporativos evoluíram significativamente nos últimos anos. Se antes criminosos dependiam de mensagens genéricas ou tentativas pouco sofisticadas de fraude, atualmente a inteligência artificial permite criar comunicações altamente personalizadas, reproduzir padrões de escrita, imitar vozes e gerar vídeos convincentes em poucos minutos. Isso aumenta a dificuldade de identificação das tentativas de fraude, inclusive por profissionais experientes.
Dentre o que demonstra o Doutor Gilmar Stelo, empresas precisam compreender que a tecnologia reduziu as barreiras para a prática de crimes digitais. Solicitações falsas de transferências bancárias, alterações fraudulentas de dados de pagamento, negociações simuladas e compartilhamento indevido de informações confidenciais passaram a integrar o conjunto de riscos empresariais. A prevenção, portanto, depende não apenas de soluções tecnológicas, mas também da criação de protocolos internos capazes de validar operações sensíveis antes de sua execução.

Quais responsabilidades jurídicas podem surgir diante dessas situações?
A utilização indevida da inteligência artificial pode gerar consequências jurídicas relevantes tanto para quem pratica a fraude quanto para empresas que deixam de adotar medidas razoáveis de prevenção. Dependendo das circunstâncias, incidentes envolvendo dados pessoais, falhas de segurança da informação ou ausência de controles internos podem resultar em responsabilização civil, prejuízos financeiros e danos reputacionais de difícil reparação.
A análise jurídica desses casos exige avaliar diversos fatores, como a existência de políticas internas, mecanismos de controle, treinamentos realizados com colaboradores, procedimentos de autenticação e cumprimento das obrigações previstas na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Mais do que identificar o responsável pelo ilícito, torna-se essencial demonstrar que a empresa adotou práticas compatíveis com o dever de diligência esperado diante dos riscos atualmente conhecidos, frisa o advogado e fundador do Stelo Advogados, Gilmar Stelo.
Como a governança pode reduzir os riscos da inteligência artificial?
À medida que a inteligência artificial se torna parte das operações empresariais, cresce também a importância da governança tecnológica. Isso significa estabelecer regras claras para utilização dessas ferramentas, definir responsabilidades, criar procedimentos de supervisão humana e desenvolver políticas que permitam acompanhar o funcionamento dos sistemas utilizados pela organização.
Sob essa perspectiva, o Doutor Gilmar Stelo destaca que a gestão de riscos deve acompanhar a velocidade da inovação. Treinamentos periódicos, autenticação em múltiplos fatores, validação de operações financeiras, revisão de processos internos e integração entre áreas de tecnologia, compliance e jurídico fortalecem significativamente a capacidade de prevenção. Empresas que estruturam esses mecanismos não apenas reduzem sua exposição a fraudes, como também demonstram maior compromisso com boas práticas de governança corporativa.
A inteligência artificial exige uma nova cultura de prevenção?
A transformação digital continuará ampliando as possibilidades de utilização da inteligência artificial em praticamente todos os setores da economia. Ao mesmo tempo, novos modelos de fraude e novas formas de exploração dessa tecnologia tendem a surgir com a mesma velocidade da inovação. Esse cenário demonstra que proteger uma empresa não depende apenas da aquisição de softwares mais modernos, mas da construção de uma cultura organizacional preparada para lidar com riscos inéditos.
As empresas que combinam inovação tecnológica, planejamento jurídico, governança e compliance estarão mais preparadas para enfrentar os desafios trazidos pela inteligência artificial. Em um ambiente de negócios cada vez mais digital, Gilmar Stelo reforça que a prevenção deixa de ser apenas uma medida de segurança e passa a representar um elemento estratégico para preservar patrimônio, reputação e a confiança necessária ao desenvolvimento sustentável das organizações.
