A empresa gaúcha Dobra, conhecida pela produção de carteiras feitas com material semelhante a papel, passou por uma mudança de modelo de negócio e agora atua como Dobra Labs. A companhia encerrou a operação de produtos físicos para concentrar esforços no desenvolvimento de softwares, automações, produtos digitais e soluções baseadas em inteligência artificial para outras empresas.
A transformação, divulgada em reportagem da Exame em 29 de setembro de 2026, representa uma mudança na forma como a empresa comercializa suas competências. Em vez de fabricar e vender carteiras, a Dobra Labs passou a oferecer projetos sob medida, serviços de tecnologia e treinamentos corporativos voltados ao uso da inteligência artificial.
Da fabricação de carteiras ao desenvolvimento de tecnologia
A Dobra nasceu em Montenegro, no interior do Rio Grande do Sul, e construiu sua trajetória a partir de uma operação de produtos físicos. Com o tempo, a empresa acumulou experiências em áreas como tecnologia, automação, marketing e gestão. Segundo as informações publicadas pela Exame, esses conhecimentos foram reaproveitados na criação da nova operação.
A Dobra Labs trabalha atualmente com a criação de plataformas, sistemas, automações e produtos digitais. O site oficial da Dobra Labs também apresenta serviços relacionados à inteligência artificial, consultoria, educação corporativa, cursos, workshops e treinamentos para empresas.
O novo posicionamento permite que a companhia atenda demandas diferentes de acordo com o perfil de cada cliente. Os projetos podem envolver o desenvolvimento de ferramentas digitais ou a aplicação de inteligência artificial em processos internos. A empresa também oferece capacitação para organizações que desejam preparar suas equipes para utilizar essas tecnologias.
Faturamento cresce com a nova operação
Os resultados financeiros informados na reportagem da Exame indicam o avanço da Dobra Labs desde o início da transição. A operação faturou R$ 500 mil entre março e dezembro de 2025. Até setembro de 2026, o valor havia alcançado R$ 1,2 milhão, e a expectativa declarada pela empresa era superar R$ 2 milhões ao longo do ano.
Os números ajudam a dimensionar a mudança de escala da companhia, mas não representam uma simples extensão da antiga atividade industrial. O faturamento passou a vir da prestação de serviços especializados, do desenvolvimento de soluções digitais e da formação de profissionais e equipes em inteligência artificial.
O caso também mostra uma alternativa estratégica para pequenos negócios que possuem conhecimentos desenvolvidos internamente, mas não os comercializam como produtos ou serviços. A experiência acumulada na rotina da empresa pode se tornar parte de uma nova oferta, especialmente quando há capacidade de adaptação às necessidades de outros negócios.
Inteligência artificial também é usada na operação interna
Na Dobra Labs, a inteligência artificial não aparece apenas como uma tecnologia entregue aos clientes. De acordo com a Exame, os sócios utilizam agentes de IA em atividades como organização de documentos, informações de clientes, transcrições de reuniões, elaboração de propostas comerciais, pesquisas, produção de conteúdo e acompanhamento de projetos.
Esse uso interno está relacionado à tentativa de aumentar a produtividade de uma equipe enxuta. Ao distribuir tarefas operacionais entre ferramentas automatizadas e profissionais, a empresa busca organizar informações e acelerar etapas do trabalho. A adoção, nesse contexto, faz parte tanto do serviço oferecido ao mercado quanto da maneira como a própria Dobra Labs administra sua rotina.
O modelo evidencia uma característica comum às empresas que trabalham com tecnologia: a ferramenta pode cumprir simultaneamente o papel de produto, serviço e infraestrutura de operação. Para a Dobra Labs, essa integração ajuda a aproximar o conhecimento adquirido no desenvolvimento de soluções da aplicação prática dentro da própria empresa.
Uma mudança que acompanha o mercado empresarial
A transformação da Dobra ocorre em um momento de expansão do interesse das empresas por automação e inteligência artificial. Organizações de diferentes setores procuram reduzir tarefas repetitivas, organizar dados e desenvolver ferramentas adequadas às suas necessidades. Nesse cenário, negócios especializados podem atuar tanto na implementação técnica quanto na capacitação das equipes.
A origem da Dobra em Montenegro também reforça que iniciativas de inovação não estão restritas aos grandes centros financeiros. A empresa gaúcha desenvolveu sua nova operação a partir de competências construídas ao longo da própria trajetória e passou a atender demandas relacionadas à tecnologia, aos produtos digitais e à inteligência artificial.
Com quatro sócios e uma atuação baseada em projetos sob medida, a Dobra Labs aposta na combinação entre desenvolvimento tecnológico e educação corporativa. A projeção de superar R$ 2 milhões em faturamento em 2026 será, portanto, um indicador do desempenho de uma empresa que deixou para trás as carteiras de papel e transformou sua experiência acumulada em uma operação voltada ao mercado de tecnologia.
